A NBR 10897:2020 define os requisitos mínimos de projeto, instalação, aceitação, ensaios e manutenção dos sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos no Brasil. É a norma técnica que o Corpo de Bombeiros usa como referência para aprovar esses sistemas.
O que a NBR 10897 exige, em resumo
A NBR 10897:2020 estabelece os requisitos mínimos para projetar e instalar sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos, incluindo as características do suprimento de água, a seleção dos chuveiros, conexões, tubulação, válvulas e todos os materiais envolvidos na instalação predial. É a norma-mãe do tema no Brasil.
Ela parte de uma lógica simples: o sistema precisa detectar o calor do incêndio, abrir os chuveiros automáticos na área atingida e entregar água com vazão e pressão suficientes para controlar o fogo até a chegada do socorro. Cada exigência da norma existe para garantir que essa sequência funcione quando for preciso.
A versão vigente é a NBR 10897:2020, que cancelou e substituiu a edição de 2014. No estado de São Paulo, ela é aplicada em conjunto com a IT-23 do Corpo de Bombeiros (CBPMESP), atualizada na revisão de 2025, que adapta o texto da norma à análise e à vistoria dos projetos submetidos ao AVCB. Em Campinas, Jundiaí e na capital, é essa combinação (NBR 10897:2020 mais IT-23/2025) que define o que será cobrado na aprovação.
O que a norma cobre
A NBR 10897:2020 organiza as exigências em blocos que acompanham o ciclo de vida do sistema, do projeto à manutenção. Conhecer esses blocos ajuda síndicos e gestores prediais a entender o que está sendo entregue quando contratam um projeto ou uma adequação de sprinklers.
A classificação de risco da edificação é o ponto de partida. A norma separa as ocupações em risco leve, ordinário e extraordinário, e essa classificação determina a densidade de água, a área de operação e o espaçamento dos chuveiros. Um escritório não exige o mesmo que um depósito com prateleiras altas, e é a classificação que traduz essa diferença em números de projeto.
O suprimento e a reserva de água garantem que haja volume e pressão disponíveis durante todo o tempo de operação previsto. A norma trata reservatórios, abastecimentos e a duração mínima que o sistema precisa sustentar conforme o risco. Sem reserva dimensionada, o sistema falha justamente no momento em que é acionado.
O espaçamento e a cobertura dos chuveiros definem a distância máxima entre os bicos e a área que cada um protege, de acordo com o tipo de chuveiro e a classe de risco. É o que evita pontos cegos no teto, onde o fogo poderia se desenvolver sem que nenhum sprinkler abrisse.
Os tipos de sistema atendem a situações diferentes. O sistema de tubo molhado mantém água pressurizada na tubulação o tempo todo, e é o mais comum em ambientes climatizados. O de tubo seco usa ar comprimido na rede e só admite água quando um chuveiro abre, indicado para áreas sujeitas a congelamento. Há ainda os sistemas de ação prévia e de dilúvio, voltados a riscos específicos.
As bombas de incêndio deixaram de ser tratadas no corpo da NBR 10897 a partir da revisão de 2020. Seus requisitos passaram para a NBR 16704, que estabelece as exigências para instalação de bombas estacionárias em sistemas de proteção contra incêndio. Quando o assunto é a bomba, é a NBR 16704 que se aplica, em conjunto com a NBR 10897.
A aceitação e os ensaios verificam se a rede instalada está íntegra e estanque antes de entrar em operação, principalmente por meio do ensaio hidrostático. E a inspeção e manutenção garantem que o sistema continue funcional ao longo dos anos. Na revisão de 2020, o anexo que trata da inspeção rotineira e da manutenção passou de informativo a normativo, ou seja, deixou de ser orientação e virou requisito.
O que a NBR 10897 exige no ensaio hidrostático?
A NBR 10897:2020 exige que a rede de sprinklers seja submetida a ensaio hidrostático a, no mínimo, 13,8 bar, ou a 1,5 vez a pressão de trabalho quando esta for superior, mantido por 2 horas, sem que se admita qualquer vazamento. É o teste que comprova a integridade e a estanqueidade da tubulação antes da aceitação do sistema.
Na prática, a rede é preenchida com água e pressurizada até o valor de ensaio. Durante as duas horas, a pressão precisa se manter estável. Qualquer queda indica vazamento, e nesse caso a norma determina que o ponto seja corrigido e o trecho reensaiado, não havendo tolerância a vazamentos na rede de combate a incêndio por chuveiros automáticos.
A exigência de ensaiar a uma pressão majorada se aplica a redes novas e a modificações relevantes na instalação. Quando a alteração envolve um número pequeno de chuveiros, o ensaio pode ser conduzido à pressão de trabalho do sistema, ainda sem tolerância a vazamento. O critério aplicável depende das características da instalação e deve ser definido por responsável técnico, assim como a definição de com que frequência refazer o ensaio hidrostático de sprinklers ao longo da vida útil da rede.
Esse é o ponto em que projeto bem-feito e execução cuidadosa aparecem. Vale registrar uma distinção importante: o tempo de ensaio (2 horas) é um prazo normativo e pode ser citado com segurança; o prazo total do serviço, porém, varia conforme o tamanho da rede, as condições de acesso e o estado da instalação. Esse ensaio, aliás, costuma ser confundido com o teste de estanqueidade, e entender a diferença entre o teste hidrostático e o teste de estanqueidade em sprinklers ajuda a saber qual procedimento a norma exige em cada situação.
Como a NBR 10897 conversa com outras normas
A NBR 10897:2020 não atua sozinha. Ela se articula com instruções técnicas estaduais e com outras normas da ABNT, e conhecer essa malha evita o erro comum de aplicar a norma errada ao sistema errado.
No estado de São Paulo, a aplicação prática passa pela IT-23 do CBPMESP, revisada em 2025, que adapta o conteúdo da NBR 10897 à análise e à vistoria dos projetos de chuveiros automáticos submetidos ao Corpo de Bombeiros. É a IT-23/2025, vinculada ao Decreto Estadual nº 69.118/2024, que o Bombeiro consulta ao avaliar um projeto de sprinklers em Campinas, Jundiaí ou na capital. A NBR 10897 traz o requisito técnico; a IT-23 traduz como ele será cobrado na vistoria.
A IT-22, por sua vez, trata de sistemas de hidrantes e mangotinhos, não de sprinklers. Ela entra na conversa quando os dois sistemas convivem na mesma edificação: a IT-23/2025 determina que, havendo demanda conjugada, as vazões e pressões mínimas da IT-22 sejam garantidas e as reservas de água, somadas. É uma referência cruzada, não a norma do chuveiro automático. Confundir as duas é um equívoco frequente em material técnico mal apurado.
A NBR 13714 complementa o quadro ao tratar dos sistemas de hidrantes e de mangotinhos no âmbito da ABNT, e a NBR 16704 concentra os requisitos das bombas de incêndio estacionárias que servem a esses sistemas. No campo internacional, a NFPA 13 (instalação de sistemas de sprinklers) e a NFPA 25 (inspeção, teste e manutenção de sistemas baseados em água) são as referências que inspiraram boa parte da prática brasileira e que ainda orientam projetos quando exigido por seguradoras ou por critérios de risco específicos.
Para o gestor predial, a leitura prática é direta: um sistema de sprinklers em conformidade precisa atender à NBR 10897:2020 e, em São Paulo, à IT-23/2025, dialogando com as demais normas conforme a edificação combine hidrantes, bombas e chuveiros. É essa adequação da rede de combate a incêndio às normas vigentes que sustenta a aprovação e a renovação do AVCB.
O que mudou da versão 2014 para a 2020
A NBR 10897:2020 cancelou e substituiu a edição de 2014, com revisão técnica em três frentes que importam para quem projeta, instala ou fiscaliza sistemas de sprinklers.
A primeira mudança é a saída das bombas de incêndio do corpo da norma. O antigo anexo de bombas baseava-se em critérios defasados, e a ABNT optou por criar uma norma específica, a NBR 16704, que reúne as exigências mínimas para a instalação de bombas estacionárias em sistemas de proteção contra incêndio. A partir de 2020, todo o requisito de bomba se busca nela.
A segunda é a mudança de status do anexo de manutenção. O anexo que trata da inspeção rotineira e da manutenção dos sistemas de chuveiros automáticos, antes informativo, passou a normativo. Na prática, a manutenção deixou de ser recomendação de boas práticas e tornou-se requisito, com reflexo direto na responsabilidade de quem opera a edificação.
A terceira são os ajustes técnicos para tetos altos e para a aplicação em diferentes classes de risco, com correção no fator k (coeficiente de descarga) dos chuveiros. Os critérios hidráulicos centrais permaneceram, mas a revisão refinou pontos que afetam projetos de edificações com pé-direito elevado.
Acompanhar essas mudanças não é detalhe burocrático. Um sistema projetado sob a lógica da norma anterior pode estar desalinhado com o que o Corpo de Bombeiros cobra hoje, especialmente em São Paulo, onde a IT-23 foi novamente revisada em 2025. Por isso a avaliação de uma rede existente sempre considera a versão vigente da norma e da instrução técnica aplicável.
Quem fiscaliza o cumprimento da NBR 10897?
O cumprimento da NBR 10897:2020 é verificado por três instâncias principais: o Corpo de Bombeiros, o responsável técnico via ART no CREA, e as seguradoras. Cada uma atua em um momento diferente do ciclo do sistema.
O Corpo de Bombeiros é a autoridade que aprova e fiscaliza. No estado de São Paulo, o CBPMESP analisa o projeto e vistoria a instalação à luz da NBR 10897:2020 e da IT-23/2025, e é dessa verificação que depende a emissão e a renovação do AVCB. Sem conformidade comprovada, a edificação não obtém o auto de vistoria.
O responsável técnico responde pela conformidade do que projeta e executa. Ao assinar a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no CREA, o engenheiro assume formalmente que o sistema atende às normas aplicáveis. Os registros de ensaio, os laudos e as evidências de conformidade são o respaldo dessa responsabilidade.
As seguradoras entram com um olhar próprio. A cobertura de uma apólice contra incêndio costuma condicionar-se à existência e à funcionalidade dos sistemas de proteção, e um sistema de sprinklers fora de conformidade pode comprometer a indenização em caso de sinistro. Para o condomínio ou a empresa, isso transforma a conformidade técnica em proteção patrimonial.
Se você é síndico ou responsável técnico e precisa confirmar se a rede de sprinklers está em conformidade com a NBR 10897:2020 e a IT-23/2025, vale entender de antemão a responsabilidade legal do síndico diante do AVCB em sistemas de sprinklers, já que é o gestor quem responde pela manutenção da conformidade. Uma avaliação técnica preventiva antes da próxima vistoria é a forma mais segura de chegar à renovação do AVCB sem surpresas.
Você também pode gostar de
Triângulo do fogo: conceitos básicos: como calor, combustível e comburente se combinam e por que os sprinklers atacam essa relação.
Erros que reprovam o AVCB: as falhas mais comuns em sistemas de incêndio que levam o Corpo de Bombeiros a reprovar a vistoria.
A importância de manter o AVCB em dia: por que o auto de vistoria vencido expõe o condomínio a riscos legais e de cobertura.
Diferença entre os laudos CLCB e AVCB: qual documento sua edificação precisa e quando cada um se aplica.
Perguntas frequentes sobre a NBR 10897
A NBR 10897 é obrigatória ou apenas recomendada?
A NBR 10897:2020 é a norma técnica de referência para sistemas de chuveiros automáticos no Brasil, e seu cumprimento é exigido quando o sistema é requerido para a edificação. Em São Paulo, essa exigência se materializa por meio da IT-23/2025 do Corpo de Bombeiros e do processo de AVCB. A obrigatoriedade do próprio sistema de sprinklers, por sua vez, depende da classificação da edificação conforme o Corpo de Bombeiros e a legislação estadual aplicável.
Qual a diferença entre a NBR 10897 e a NFPA 13?
A NBR 10897:2020 é a norma brasileira, editada pela ABNT, e é a que o Corpo de Bombeiros adota no país. A NFPA 13 é a norma norte-americana de instalação de sistemas de sprinklers, referência internacional que inspirou boa parte da prática brasileira e que ainda é consultada em projetos específicos ou quando exigida por seguradoras. Para aprovação no Brasil, a referência é a NBR 10897 e, em SP, a IT-23/2025.
Onde consultar a íntegra da NBR 10897:2020?
O texto completo da NBR 10897:2020 é comercializado pela ABNT, detentora dos direitos da norma, em seu catálogo oficial. Não se trata de documento de distribuição livre. Para a aplicação em São Paulo, a IT-23/2025 do CBPMESP está disponível nos canais oficiais do Corpo de Bombeiros.
Quem é o responsável legal pelo cumprimento da NBR 10897?
A responsabilidade técnica recai sobre o engenheiro que projeta e executa o sistema, formalizada pela ART registrada no CREA. A responsabilidade pela manutenção e pela conformidade ao longo do tempo é do proprietário ou do responsável pela edificação, como o condomínio ou a empresa ocupante. O Corpo de Bombeiros fiscaliza, e as seguradoras avaliam para fins de cobertura.
Com que frequência a NBR 10897 exige teste da rede de sprinklers?
É preciso separar dois momentos. O ensaio hidrostático a pressão majorada ocorre na instalação da rede nova e em modificações relevantes, conforme as características da instalação. Já a verificação da funcionalidade ao longo da vida do sistema se dá por inspeções e ensaios periódicos previstos na norma e na NFPA 25, com periodicidades distintas conforme o item verificado. A frequência exata aplicável deve ser definida por responsável técnico.
A NBR 10897 vale em todo o Brasil ou só em São Paulo?
A NBR 10897:2020 é norma nacional da ABNT e serve de referência em todo o país. O que varia de estado para estado é a instrução técnica do respectivo Corpo de Bombeiros que regulamenta sua aplicação. Em São Paulo, essa instrução é a IT-23/2025, que vale para Campinas, Jundiaí e a capital.


